W H T V R: Empoderamento das sukebans

heat-haze-sukeban-japao-gangue-yanki-estilo-uniforme-(1)

A essas alturas já não é novidade eu trazer um post sobre cultura asiática pra cá. Só de ouvir falar no Japão, por exemplo, me dá uma puta sensação de ansiedade, uma vontade absurda de devorar qualquer informação sobre os olho puxado. A cultura dos caras é foda, não tem como negar. E, dessa vez, eu vou falar sobre as Sukeban, girl gangs compostas por adolescentes de classe média que odiavam o mundo e a sua cultura sexista. (fala sério, como não se apaixonar?)

A década de 70 foi um período de breve libertação para as jovens japonesas. A existência de grupos como as yanki e as motoqueiras bosozoku, que hoje chamam a atenção nas ruas do Japão, tem sua independência graças às gangues de garotas do final dos anos 60. Desconstruindo o ideal masculino de mulheres frágeis e colegiais inocentes, as Sukeban (girl boss, em tradução literal) queriam chamar a atenção. Elas customizavam seus próprios uniformes de marinheiro com patches e botons, trocaram as saias curtas, por longas (um protesto contra a sexualização das adolescentes) e estavam quase sempre armadas com bastões de baseball, correntes e lâminas que pudessem carregar por baixo das roupas. Elas criaram um grupo ao qual se identificavam e pertenciam: a sua própria yakuza.

“Na yakuza, as mulheres não têm autoridade e quase não há membros do sexo feminino. Que as gangues de garotas tenham sequer existido é uma raridade na cultura geralmente sexista dominada pelos homens no Japão”, explica o escritor Jake Adelstein, especialista em crime japonês.

“O mundo estava falando de feminismo e libertação, e talvez elas sentissem que as mulheres também tinham o direito de ser tão estúpidas, promíscuas, viciadas em adrenalina e violentas quanto seus colegas homens”. As sukeban cometiam crimes pequenos e constantemente brigavam com gangues rivais de regiões próximas às suas. Mas, apesar de delinquentes, sua lealdade e companheirismo eram admiráveis, bem como a sua hierarquia, nos mesmos moldes da yakuza. Queimaduras de cigarro e pequenas humilhações eram sentenças menores por roubar um namorado, por exemplo.

heathaze-sukeban-japao-gangue-feminina-yanki-yakuza

 Para a rebeldia dos anos 70, o uniforme escolar de marinheiro era um símbolo de tradição desnecessário, mas impossível de evitar. Depois de formadas, as sukebans mantinham seus uniformes como uma forma de identificação dos grupos. Elas estilizavam seus casacos e blusas com rosas bordadas e kanjis com mensagens anárquicas, um reflexo do punk britânico onde se customizava as roupas com o que se tinha em casa.

Não demorou para que a mídia se interessasse pela nova febre, produzindo filmes a programas de TV. Essa ascensão colocou as mulheres em uma posição de destaque, inspirando uma série de filmes “Pinky Violence”, voltados para o público adulto. “Era o tipo de solidariedade radicalmente feminina que não só era incomum para a época, mas para o cinema de todas as épocas”, explica Alicia Kozma, autora de Pinky Violence: Shock, Awe and the Exploitation of Sexual Liberation .

“Como as mulheres do elenco desses filmes geralmente não eram atrizes profissionais, usavam suas próprias roupas no filme, faziam seu próprio cabelo e maquiagem, isso era um tipo de autenticidade profundamente sentida e incrivelmente rara”.

“O legado das sukeban se tornou maior que a soma de suas partes — o que começou com gangues de ladras indisciplinadas se transformou, com ajuda da bolha econômica e do crescimento da exposição na mídia, um dos principais componentes do retrato das mulheres nos anos 70.” Em um trecho do artigo “How Vicious Schoolgirl Gangs Sparked a Media Frenzy in Japan” do site Broadly.

“Elas se tornaram a representação das dicotomias sociais, culturais e políticas que a sociedade japonesa estava experimentando na época”, diz Kozna.

“Num nível mais amplo e universal, a ideia de mulheres se comportando mal sempre foi atraente para o público, especialmente porque é um desafio à maneira como as mulheres são universalmente ensinadas a agir.”.

heathaze-sukeban-japao-gangue-feminina-yanki-yakuza2

Mesmo com a gigantesca propagação da subcultura, hoje no Japão, já não se encontram gangues que mantenham vivo o espírito e a ideologia original. E, apesar da popularidade, é muito difícil de encontrar qualquer material sobre o tema, já que a influência das sukebans acabou se misturou aos modismos das gangues ocidentais.

Mesmo tendo se diferenciado das suas predecessoras aderindo novos comportamentos como pintar as unhas e se apresentarem como motoqueiras, a nova geração de sukeban tem noção do seu status e do seu papel na contínua evolução do país. O Broadly finaliza: “Ainda honrando sua herança, essas novas gangues encontraram conforto e uma plataforma para individualidade e rebeldia que se encaixa para elas, e para mais ninguém. ”

Fontes: Broadly | Dazed & Confused

  • celestepich

    q