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  • W T H V R: Supreme, NCT127, Barbara Kruger e os direitos autorais

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    Moda. Música. Design.
    Esquece o papel higiênico, esse é o meu básico para sobrevivência. A importância de cada um é bastante única e individual pra mim, bem como o interesse, que surgiu em momentos chave da minha vida. A mínima relação entre dois desses tópicos já é o suficiente para me deixar obcecada por qualquer projeto. Mas no momento em que os três estão envolvidos, se referenciando e se retroalimentando, eu preciso escrever sobre.

    Como uma boa viciada no Pinterest, peças da Supreme já cruzaram a minha dashboard algumas vezes. Camisetas com jpegs de celebridades, a famigerada caixa vermelha, a Futura Heavy Oblique e é isso – e também não precisa de mais nada. A moda estava ali e supria um dos três básicos. Mas depois do comeback, Limitless da segunda unit do NCT, o NCT 127, eu fiquei completamente obcecada pela marca.

    O styling é perfeito, a música é f*da e a estética se diferencia de tudo que o K-Pop já produziu até agora. (parabéns, sm! to na torcida por muitos 1st win. e isso vindo de uma YG Stan) Tudo nesse comeback parece ter sido feito com muito cuidado. Aliás, tudo que envolve o NCT parece muito meticuloso, como por exemplo a continuidade das cores nas capas dos álbum do NCT 127 e do NCT U. (NCT dream não segue a mesma linha, mas faz sentido por motivos de conceito) Os teasers em vídeo e as fotos individuais faziam meus olhos brilharem. Gente, eu juro, os caras são bem gatinhos, (Yuta, Taeyong, Doyoung e WinWin vcs tão de parabéns) mas foi a tipografia que me deixou sem ar.

    Anos atrás, eu tive sérios problemas em aceitar qualquer coisa feita com Helvetica – não vou mentir, ainda tenho. Mas a verdade é que ela é uma fonte que só fica legal real oficial na mão de quem sabe fazer bonito. Esse é o mesmo complexo da Comic Sans, por exemplo. Todo mundo tira onda com ela, mas ela foi feita para cumprir um determinado papel e não o de estar na fachada de uma clínica odontológica.

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    Como se não bastasse usar Helvetica bem pra caramba e modificar a Disclaimer o suficiente para dar cara à todas as units e singles até agora, a paleta de cor é tão imponente quanto a tipografia. Meu nome é Celeste, amo o azul que acompanha o meu nome e a cor da minha alma é rosa pastel, mas eu preciso urgentemente de roupas que misturam vermelho com preto e branco. A Supreme influenciou não só o styling, mas a estética de um álbum inteiro. A moda e a música estavam esclarecidos, mas de onde surgiu o design? Barbara Kruger!

    Barbara nasceu em 26 de Janeiro de 1945 em Newark, New Jersey, e se consagrou como uma artista conceitual e colagista. As obras dela fazem críticas à sociedade moderna e ao consumismo, além de promoverem o feminismo, empoderamento e um debate aprofundado sobre a identidade de gênero. A estética que ela criou, praticamente assina todas as suas criações e é conhecida mundialmente. O próprio logo da Supreme é, inegavelmente, uma referência ao trabalho de Barbara, o que confunde a minha cabeça, já que em 2013, a marca que nasceu em 1994 estava processando a artista que aplica essa estética desde pelo menos 1981, ano da sua primeira publicação de trabalho, a fim de proteger o design que eles dizem ter criado. (WHAT THE ACTUAL FUCK SUPREME)

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    Não sei exatamente qual a moral dessa análise ou que eu queria provar com isso, mas para finalizar: a) SM está fazendo um trabalho de design e conceituação incrível. A última vez que eu fiquei tão apaixonada foi com f(X) em Four Walls. #QueroComebackDeF(x) b) O design de marca da Supreme é da Barbara Kruger, mas as roupas são deles. Ou seja, os caras são uns babacas mas mandam muito bem. c) Toda essa pesquisa me fez lembrar de alguns dos meus primeiros trabalhos para a minha primeira agência. (esses posts da direita) Não me impressiona ter gostado tanto de NCT, tudo faz sentido agora.

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  • F S H N
  • F S H N: Crystal Clear

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    Faaaaaaala pessoal! Tudo beleza?

    Seção de moda nesse guichê! Depois de muito tempo, finalmente fotografei um post para o #FSHN. Para falar a verdade, a demora aconteceu porquê não tava rolando inspiração para fazer uma composição legal. Geralmente quando falta referência para montar look ou conceito para editorial, eu vou direto pro YouTube ouvir/assistir os melhores MVs de Kpop. Se você não sair com a cabeça borbulhando de tanta ideia, pelo menos a playlist era boa.

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    Para o post dessa semana, eu não procurei um MV. Ele me achou. O comeback de CLC, Hobgoblin, foi a motivação que eu precisava para colocar uma meia fishnet destruída e bagunçar os double buns mal feitos pela falta de experiência. Particularmente, eu não gosto muito o conceito cute e tenho a tendência de evitar grupos que focam nisso. Mas, quando eu fiquei sabendo que as novinhas da Cube estavam apostando no Girl Power, para tudo e sobe as views.

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    Mesmo nos dias de calor mais absurdos de Porto Alegre, eu não consigo mais tirar essa jaqueta. Seja pela pegada anos 80, as mangas largas ou o oversized confy ela é uma das minhas peças favoritas ultimamente. Descobri ela quando meu pai emprestou para o meu irmão, que perdeu pra mim no mesmo instante. Atentem-se aos guarda-roupas dos pais! São uma mina de ouro.

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    Demorou bastante, mas finalmente a meia fishnet, aka meia arrastão, está recebendo atenção dos portais de moda mas famosinhos aqui do Brasil. Ela não é novidade para quem inspira kpop e expira pinterest, já que tem aparecido direto nas produções dos girlroups e nas pastas “Grunge” “90’s Fashion”. A meia segue a tendência das transparências, e é bola dentro na certa.

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    É isso aí!
    Espero que tenham gostado desse post. Há tempos eu queria tentar uma diagramação diferente para as fotos. Esse look veio com no timing perfeito e combinou bem com o conceito.
    Deixa aí aquele comentário e me conta o que curtiu, o que não curtiu e se também tá viciado em Hobgoblin, beleza? : )

  • K P O P
  • W H T V R: O K-Pop que infantiliza também empodera

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    Você não precisa ser um usuário hardcore de internet para saber que a cultura asiática venera meninas doces e inocentes – o que cá entre nós, não é um problema. Mas depois de tanto falar (discutir), compartilhar e desconstruir o mundo inteiro a partir do Empoderamento Feminino eu comecei a pensar: como é a busca pela afirmação do girlpower em um continente que replica e glorifica o estereótipo da menina boba e infantil que precisa de um príncipe encantado?

    São poucas as fontes que falam sobre esse assunto, mas eu achei um texto do The Harvard Crimson com o qual eu concordo, e muito: “Quando mulheres de 20 anos cantam sobre o primeiro amor com letras do tipo “o que eu devo fazer”, “estou com tanta vergonha que não consigo olhar para você” “idiota”, acabam infantilizando mulheres maduras, dando a impressão de que são crianças e dependentes de homens mais velhos para que as ensinem sobre o amor. Esse tipo de comportamento traz não só a ideia de subordinação da mulher, mas também reforçam a ideia de que é aceitável se fingir de boba para atrair um parceiro.” GENTE, É ISSO!!!

    Para não ficar só no meu achismo de estrangeira que ama a conexão Japão-Coreia do Sul, eu trouxe a opinião de uma amiga sul-coreana muito amorzinho, Jeong Yeon Kim aka Jy, que pilhou responder algumas das minhas perguntas:


    Oi, Jy! Tudo bem? :)
    – Tudo certo! E com você, Ce?

    Quantos anos você tem e quais seus grupos/artistas favoritos de K-Pop?
    – Eu tenho 23 anos. Meus grupos favoritos são SHINEE, VIXX, TWICE e Lee Hi. A maioria são boy groups haha.

    O que você acha sobre a infantilização da mulher como um estereótipo?
    – Como a minha faculdade é apenas para mulheres, eu estudei bastante a respeito desses estereótipos e é um tópico bem interessante. Já faz tempo que as pessoas idealizam as mulheres como inocentes em relação ao amor, em relação à sua sexualidade e em relação à basicamente tudo. Antigamente, as mulheres não estudavam e eram dependentes de seus maridos, já que elas não trabalhavam e não possuíam qualquer poder aquisitivo. Sendo assim, as pessoas pensavam que uma mulher dependente era não só o tipo ideal, mas o mais natural na sociedade, o que naturalmente influenciava as jovens, idealizadas como doces, fofinhas e obedientes. Mesmo com as fortes mudanças na mídia ultimamente, esses estereótipos de infantilização e dependência ainda existem. Por exemplo, o k-drama Goblin: eu gosto muito de assistir a série, mas a heroína ainda é muito jovem e dependente. A maioria dos personagens masculinos são homens ricos que ocupam cargos importantes, enquanto as mulheres são pobres e tem uma vida simples. É esse tipo de mentalidade que gera um boom na Síndrome de Cinderella: mesmo que a mulher encare seus problemas de maneira positiva e alegre, ela ainda precisa de um príncipe para resolver seus problemas (financeiros) e fazer dela uma princesa. Inclusive, muitas músicas de k-pop trabalham a temática da garota tímida que não se encaixa.

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    As reações e atitudes infantis em relação aos homens, retratadas em doramas e nas músicas, são caricatas ou realmente representam uma parcela das mulheres?
    – Existem muitos doramas e músicas que dão destaque para jovens infantilizadas. Um exemplo disso é a música “Pick me”, do programa Produce 101. Ele é muito popular e propõe que o público vote pela sua garota favorita, considerando, por exemplo, a passividade dela. A maioria dos girlgroups tem passos de dança que representam meninas muito infantis, agindo de forma fofa e doce. Eu gosto muto de TWICE, mas TT e o “shy shy shy” de Cheer UP… Mesmo que isso não represente todas as mulheres, muitas jovens e adolescentes são afetadas por esse tipo de mídia. Elas pensarão que é atraente agir de maneira infantil e tímida. É algo subconsciente, mas que tem influenciado de maneira geral.

    Girl’s Generation, um dos girlgroups mais famosos, mudou bastante o seu conceito desde a época de “Gee” até “You think”, o último comeback. Você acha que tem relação com a expansão da música coreana ao ocidente ou é uma mudança dentro da própria Coreia do Sul?
    – Sim, elas mudaram muito ao longo dos últimos 10 anos. Com certeza é uma mudança por consequência do ocidente e também da mudança dentro da própria Coreia do Sul, mas eu acho que é principalmente porque elas cresceram. lol Geralmente quando um girlgroup novo debuta, o conceito é baseado em meninas inocentes, cheio de cores claras e brilhantes. Conforme elas vão ganhando popularidade, elas começam a mudar o conceito para algo mais femme fatale, bem sensual e com cores escuras. Mas existem exceções, como quando uma agência foca no ocidente e apostam no conceito sexy e cool, como 2NE1. Caso contrário, elas apostam no cute, voltado para o Japão, Coreia e Ásia em geral.

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    Black Eyed Girls e Miss A são dois exemplos de ggs que cantam sobre feminismo. Como foi a repercussão de Sixth Sense e I Don’t Need a Man?
    – A moda na Coreia se reflete nessas músicas. Ultimamente, o interesse em relação ao feminismo cresceu muito e existem problemas em relação à misoginia. Eu acho um ótimo sinal que os girlgroups estejam cantando sobre esse assunto. Primeiro os jovens mudarão e em seguida a cultura, de forma natural.

    Artistas como Beyoncé e Rihanna, que incorporam a sua sexualidade nas letras e performances, fazem bastante sucesso por aí?
    – Geralmente não, mas alguns artistas sim, como a Lee Hyori e a Hyuna.

    Quais artistas coreanas que cantam sobre empoderamento você recomendaria?
    – Dos que eu me lembro agora, eu gosto de “Woman president” do Girl’s Day. Eu acho que é uma temática importante. Também recomendo a YG Entertainment.


    Fonte: The Harvard Crimson

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